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Coluna Motostory: eu e as motos – Carlozinho Coachman


Foto: Acervo Motostory

Texto: Carlãozinho Coachman

As motocicletas apareceram cedo na minha vida. A primeira lembrança de uma moto aparece na minha memória muito antes de eu pilotar uma. As motos sempre ocuparam um espaço importante nas nossas vidas. Sempre! Além de vê-las por perto, de ter as motos do pai na garagem, dos amigos que chegavam para um passeio ou uma conversa apenas, fui especialmente marcado por um lugar, dois na verdade… mais para ser bem sincero.  Os lugares das motos, os sons, os cheiros, os sorrisos, as conversas, os abraços… estão todos marcados em mim profundamente.


Foto: Acervo Motostory

Lugar 1: A Garagem do Ronnie lá no Morumbi… um pedacinho de paraíso na terra… com motos, muitas… Harleys antigas, Indians, Ducatis… Yamahas de cross dos anos 70, a Montesa Cota 247 de Trial e mais tarde a enduro H6… um Rolls Royce magnífico, hoje na coleção do Nelson Piquet… ferramentas, as melhores, já nos carrinhos lindos, próprios para elas trazidos dos Estados Unidos por ele… capacetes dos mais variados… um de cross aberto, com uma aba enorme… e um skate pequeno com uma placa de elevador colada na parte de baixo do Shape alertando: Capacidade máxima 6 pessoas ou 480 kilos… típico do humor do Ronnie…


Foto: Bitencourt/Motostory

Lugar 2: A Trailândia, ou Yamalândia, às margens da Rodovia Presidente Dutra, atrás do posto Sakamoto, sentido Rio – São Paulo, pertinho da fábrica da Yamaha em Guarulhos. O bosque de eucaliptos ainda está lá. Por isso os cheiros, no plural mesmo. O perfume do óleo dois tempos misturado ao perfume dos eucaliptos me marcou. As motos de cross, a poeira, o sorriso marrom dos pilotos e as risadas nos boxes improvisados entre carros e arvores. A mão grande do meu pai segurava a minha firmemente. Na pista, nomes como Casarini, Bittencourt, Bernardi, Tucano, Paulé, entre outros, começaram a ficar gravados na memória para nunca mais sair. Eram os amigos… que viraram ídolos e novamente amigos… quase irmãos de causa!


Foto: Acervo Casarini/Motostory

Lugar 3: Interlagos… mítico para qualquer um que gosta de motor, especialmente para quem vive em São Paulo… não tenho lembrança de ter frequentado a arquibancada. O pai logo passava para o lado de dentro da pista e ia para o box… e eu junto! As mesmas risadas, mas mesmas conversas, os cheiros… o zunido dos motores… a agitação dos boxes, a camaradagem… a adrenalina! Olhar a pista (ainda o circuito antigo) lá de cima do morro, era vislumbrar o Eden…


Foto: Acervo Motostory

Lugar 4: O Parque do Ibirapuera… o zerinho… quanta moto… quanta gente bonita, e gente louca também: “Pai, olha aquele doido!” Malabarismos… o som dos motores, as mesmas risadas, novos rostos… só moto bacana!


Foto: Edson Lobo/Motostory

Lugar 5: O Campus da USP… de bicicleta… de moto… de carro, a famosa corrida de motocross perto da caixa d’água… a subida da mata… o enorme ralo em forma de funil acho que era atrás da engenharia… mais motos, mais amigos, mais risadas…


Foto: Edgard Soares/Motostory

Lugar 6: A esquina do veneno… General vs Barão… ainda era do “Veneno”… logo depois virou “A Boca”… que lugar louco… quanta loja… quanta moto… quanto tudo… As rizadas, os cheiros, os sons… a boa malandragem na conversa… os melhores negócios!

Lugar 7: Centauro Motor Clube… a sala do sr. Eloi… “O cara”… era certamente um lugar diferente de todos… história, autoridade, esporte, organização, carisma… linha dura também, mas sorrisos sem fim e reuniões de trabalho que eu apenas imaginava… às vezes o pai ia para lá sozinho: “Não posso te levar hoje. Vamos ter uma reunião importante.” Na maioria das vezes eu podia ir… “Pode trazer o menino Carlão, deixa ele aqui… é bem educado seu filho. Ele não mexe em nada.” Dizia Eloi… e eu lá, de mãozinhas atrás das costas olhando tudo… as fotos, os troféus, os guardados… de vez em quando pedia: “Posso ver Tio Eloi?” Invariavelmente a resposta é, “Pode sim, Carlinhos!” (Carlãozinho viria um pouco depois, graças ao amigo Carlos Bittencourt e a “Turma do Carlão, em Alphaville)…

Infelizmente não tenho foto minha na sala do Eloi… mas segue abaixo uma dele com o mestre Milton Benite.


Foto: Reprodução Jornal da Moto/Motostory

Nasci em São Paulo, capital, em 1965. Filho do Carlão e da Lídia Coachman, logo comecei a perceber as motos à minha volta. No início, aquelas pessoas que nos rodeavam, todos amigos do meu pai, eram apenas “tios” para mim. O que eu não tinha consciência, é que cresci rodeado de alguns dos maiores nomes da história do motociclismo brasileiro. Naquele tempo ainda não tinha a menor ideia de que o dentista, meu pai, estava escrevendo seu próprio nome na história e me colocando vagarosa, mas definitivamente, no esporte que transformaria minha vida.

Um dia meus pais resolveram se separar. Amigavelmente, é verdade, como deveria ser entre Carlão e Lídia. O que parecia ser inicialmente um enorme problema acabou se transformando, graças à esperteza da minha mãe, na principal razão para eu estar, até hoje, trabalhando, escrevendo, vivendo e respirando motocicletas. Ela achou por bem que eu começasse a trabalhar com ele no consultório, e que a motocicleta aos finais de semana seria o nosso esporte, de pai e filho. Graças a ela o Carlão acabou se tornando meu melhor amigo e a moto… bem… dá para entender o que significa para mim.


Foto: Ryo Harada/Motostory

De lá para cá já trilhei com o pai, competi ao lado dele e por causa dele, acabei indo parar na imprensa especializada. A edição de Duas Rodas de Dezembro de 1982 publicou uma reportagem intitulada Dr. Coachman, mas podem chama-lo de Carlão, o treieiro. Durante a produção da matéria, em Alphaville, SP, fomos fotografar no já famoso Morro do Carlão. Os cliques certeiros de Mario Bock e o texto afiado de Roberto Araujo compuseram a matéria. Mas, foi justamente na seção de fotos que Roberto lançou o convite: “Não quer fotografar as motos fora de estrada para a revista? Não aguento mais colocar fotos do Josias (Silveira) encalhado, caindo, posando, fingindo. (risadas). Nas ruas ele se garante, mas na terra não dá. Como você ainda não tem carta (tinha 17 anos na época), fica com as motos de trilha. Depois vemos como fica.”

Aceitei na hora, claro. Depois, me pediu as primeiras opiniões. Depois me pediu para escrever… e corrigiu, corrigiu, e corrigiu… Um dia, me disse que a matéria seria minha, mas, ao receber o texto percebeu que eu ainda não estava pronto. Editou tanto que resolveu publicar tendo como autores Roberto Araujo e Carlãozinho Coachman. Até que chegou o dia de publicar meu primeiro teste assinando eu mesmo. Já agradeci ao Roberto inúmeras vezes, mas nunca é demais lembrar.

Desde aquele dia, até hoje, dediquei boa parte da minha vida a viver as diferentes facetas da motocicleta: de simples usuário a piloto de Trial, Enduro e Rally, modalidades às quais me dediquei bastante, especialmente as duas primeiras… jornalista, editor e diretor de redação… organizador de eventos e cursos até chegar a trabalhar diretamente na importação e comercialização de diversas marcas.

Fui aos quatro cantos do mundo, sempre vivendo todas as facetas do negócio ou do esporte que só a motocicleta poderia me proporcionar, mas… a jornada ainda é longa!

Viver é mudar constantemente, e cá estou eu, de olho no futuro sim, como nunca, mas trabalhando incansavelmente para resgatar, manter e propagar a nossa história: A História da Motocicleta no Brasil. Ainda há muito o que aprender, o que viver… e tanto ainda por fazer!

Fonte:
Equipe MOTO.com.br

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