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  /  fique ligado!   /  Coluna Motostory: Uma Viagem de Motocicleta ATRAVS DOS ANDES, parte 3

Coluna Motostory: Uma Viagem de Motocicleta ATRAVS DOS ANDES, parte 3


Foto: Acervo Motostory

Nota do Editor de Motostory: Segue a terceira parte da reportagem originalmente publicada na revista Motociclismo número 7, de março/abril de 1950. Trata de mais um episódio da epopeia dos amigos Ayres Nogueira, Dr. Bernardo Ciambelli, Dr. Ciro P. Oliveira e José Lamoglia Netto, que saíram de São Paulo em direção ao Pacífico. Neste episódio os “Bandeirantes Modernos chegam ao Rio Grande do Sul. Está em nossas mãos graças à generosidade da família Edgard Soares. 

Texto: Carlãozinho Coachman 

No artigo anterior, a nossa narrativa interrompeu-se na  romântica e original cidade de Florianópolis, Capital do Estado de Santa Catarina, sendo que o comando da caravana estava sob o comando do Sr. Dr. Bernardo Ciambelli.

Depois de uma noite de repouso na referida cidade de Florianópolis, aprontamo-nos para fazer a entrega das mensagens aos Srs. Governador do Estado, Prefeito da Capital e Presidente da Câmara Municipal.

Fomos atendidos pelo Sr. Secretário de Governo, pois que se encontrava ausente S. Excia. O Governador, tendo o Sr. Secretário consignado em nosso “Diário” as seguintes impressões:

“Registro a passagem da “Caravana da Boa Vizinhança” composta dos Srs. Aires Nogueira – Dr. Bernardo Ciambelli – Dr. Ciro P. Oliveira – e José Lamoglia Neto, os quais percorrem o Brasil em direção ao Chile, usando, como veículo, motocicletas, o que lhes dá um caráter de arrojado bandeirismo, que não posso deixar de admirar muito grandemente.”

Florianópolis, 27-10-1948

  1. Francisco Barreiro Filho, Secretário de Governo.

O Sr. Prefeito Municipal consignou o seguinte:

“Apraz-me registrar a passagem, em Florianópolis, dos Srs. Aires Nogueira – Dr. Bernardo Ciambelli – Dr. Ciro P. Oliveira – e José Lamoglia Neto, bravos componentes da “Caravana da Boa Vizinhança” e lídimos representantes do ânimo e da audácia paulistanas, Bandeirantes da nova geração.

Florianópolis, 20-10-1949

  1. Valentim de Carvalho – Prefeito Municipal

No dia 28-10, nossa “Caravana”, cujo comando passou a ficar sob a responsabilidade do Dr. CIRO P.OLIVEIRA, às 5 da manhã deixava a maravilhosa cidade de Florianópolis rumo a Porto Alegre. A estrada bastante acidentada e muito perigosa devido às inúmeras curvas e leito estreito, não permitia grande velocidade.

O tempo estava ameaçador, prometendo chuvas violentas: contudo, tínhamos informações de que a estrada não era escorregadia quando molhada, o que não acontece com a estrada vermelha. Às 10 horas mais ou menos, o tempo melhorou e tivemos um belíssimo sol; paramos em uma pequena cidade, cujo nome não me recordo, e aí fizemos um pequeno lanche. Tomadas as informações necessárias, partimos rumo ao litoral; a 80 quilômetros mais ou menos, diante dessa cidade, tivemos uma surpresa bastante desagradável; encontramos uma ponte semi-destruída. É comum, no Estado de Santa Catarina, construírem pontes apoiadas em colossais toras de madeira, e cuja largura permite apenas a passagem de um automóvel, indo a extensão às vezes a mais de 15 metros. Sobre essas toras, que chegam a ter entre 4 a 6 metros de diâmetro, são pregadas as tábuas de 5 centímetros de espessura mais ou menos, as quais se firmam em um pequeno “chanfrado” feito no dorso superior da tora.


Foto: Acervo Motostory

Ao chegarmos a esta ponte, de início pareceu-nos que ai terminava a viagem ou nos atrasaríamos sobremaneira, pois que a mesma tinha cerca de 8 metros a descobertos, isto é, sem as tábuas, que teriam sido arrancadas por uma formidável enchente do rio. A extensão total da ponte era de 14 metros, e estava uns 10 acima do nível das águas que teriam no momento uma profundidade de 2 metros. Assim ficou evidente que não poderíamos atravessar pelo leito do rio, ainda que encontrássemos, para cima ou para baixo da ponte, margem sem barranco. A única chance seria tentar a travessia no dorso da tora equilibrando-se no pequeno chanfrado que não tinha mais do que 30 centímetros de largura.

Nessas condições, procedemos a uma votação para decidir o seguinte: Voltar atrás até a próxima cidade (80 quilômetros) para indagar de um outro caminho ou esperar ali o concerto do ponte, ou, então, arriscar a passagem assim mesmo. A votação deu como resultado 2 votos pela passagem e 2 votos pela volta à cidade, cada um dos votantes fazendo a defesa do seu voto. Contudo os pontos de vista não chegaram a um acordo e uma hora já tinha se passado sem que houvesse uma decisão. Nessas condições, como já havíamos resolvido anteriormente, caberia a sorte resolver a questão, sendo convidado então o comandante Dr. Ciro para jogar uma moeda para cima (cara ou coroa). E a sorte, essa nossa infatigável companheira, que nos acompanhou, beneficiando-nos durante toda a viagem, decidiu que deveríamos atravessar. Restava agora determinar quem seria o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto a empreender tão arriscada travessia, uma vez que muito embora a tora tivesse grande largura, o chanfrado, como já disse, não ia além de 30 centímetros e a distância a percorrer seria de 8 metros, o bastante para um belo mergulho de 10 metros de altura.

Quatro pedaços de papel devidamente numerados, decidiram a ordem da travessia. José Lamoglia Neto foi o pesado que tirou o numero 1, Dr. Ciro P. Oliveira o 2, Aires Nogueira 3, e Dr. Bernardo Ciambelli 4.

Na iminência de um provável “mergulho”, seria aconselhável que nos desfizéssemos das roupas, botas, para a travessia. Estudamos todos os ângulos perigosos, e assim ficou combinada uma velocidade de 20 quilômetros, pois em caso de desiquilíbrio, o motociclista não seria projetado no barranco em frente. Cair, sim, mas na água é melhor… Estudamos também a maneira como cair, pois que se a maquina nos caísse em cima, mesmo dentro d’água, seria bem… desagradável. A maquina poderia cair no lado que quisesse, entretanto o bandeirante teria que escolher o lado oposto para evitar que a maquina lhe caísse em cima.

O numero 1, José L. Neto se pôs a caminho. A “torcida” era grande, olhares apreensivos acompanhavam “El Valente” que se afastava uns 200 metros da ponte, para em seguida dela se aproximar e empreender tão curta e arriscada travessia.

Foram momentos emocionantes e de grande tensão nervosa. Depois todos, felizmente, havendo demostrado sangue frio absoluto, controle perfeito e determinação que animam constantemente o espírito altamente esportivo e aventureiro da gente de Piratininga, do outro lado já, todos olharam com desprezo aquela “pontinha” que nos tinha roubado 3 valiosas horas de viagem, e que nos tinha transformado em “Índios Brancos” sobre motocicletas em pleno centro do Estado de Santa Catarina.

Vestimos nossas roupas e nos pusemos a caminho. Devido ao atrase tivemos que pernoitar em Araranguá, cidade litorânea do estado de Santa Catarina, onde tivemos a satisfação de conhecer o culto e inteligente missionário, Frei José M. Carneiro de Lima, que nos proporcionou momentos de prazer, com uma prosa muito interessante. Antes, porém, de atingirmos essa cidade, o comandante, Dr. Ciro, ao defrontar-se com o único automóvel que vimos naquele centro, derrapou e aterrissou logo após uma curva, obstruindo, ele, a maquina e o automóvel, toda a estrada, provocando assim, minutos após a aterrisagem de Aires. Resultado, o pescoço do Dr. Ciro declarou greve em favor da imobilidade e o braço esquerdo de Aires resolveu entrar em férias parciais, tendo a “dor” aproveitado o ensejo para viajar gratuitamente montada no pescoço do Dr. Ciro, até as águas do Pacífico.


Foto: Acervo Motostory

Passamos a noite em um hotel de Aranganguá, e pela madrugada rumamos para a praia do mesmo nome que liga essa cidade à cidade de Torres, já no estado do Rio Grande do Sul, muito conhecida como cidade balneária dos gaúchos. É bastante pitoresca, dada a sua topografia, situada frente ao mar e sobre rochas escarpadas de mais de 100 metros de altura.

Almoçamos e seguimos em a Gravataí, ainda pela praia, margeando o mar por uns 100 quilômetros. Em Gravataí, começamos a percorrer estradas, sendo alguns trechos asfaltados. No macadame podíamos desenvolver velocidades superiores a 100 quilômetros horários e devido à velocidade, quase sempre 130 quilômetros, nos distanciamos mais um do outro, quase 1000 metros. O comandante Dr. Ciro, já porque não estava gostando da companheira (a dor no pescoço) , já porque devia manter, consolidar e prestigiar o seu título de “Rei dos Tombos”, praticou nova e sensacional aterrisagem, cheirando de bem perto a mãe terra gaúcha. Em seguida, com a pressa que tinha para ocultar dos companheiros o espetacular tombo, montou na maquina e seguiu na direção em que ela estava virada, ou seja, na direção a São Paulo! Quando perguntado porque voltava, respondeu ele que não estava voltando, mas seguindo para o… Chile.

O território do Rio Grande do Sul é muito bonito e suas campinas e banhados são de uma beleza típica; nota-se boa organização nas fazendas de criar com seus animais saudáveis e de raças variadas.

Aproximamo-nos a cidade de Porto Alegre. Aí devíamos pernoitar apenas, e o que aconteceu depois modificou nossos planos. Eram mais ou menos 7 horas da noite quando chegamos ao Hotel São Luís, onde fomos muito bem recebidos. No próximo número, falaremos dêsse nobre e atencioso povo gaúcho, de seu Governo e de suas coisas, que nos encantaram muito. Por ali passamos deixando um pedaço de nossos corações e trazendo conosco, vivo e palpitante, o orgulho justo e legítimo de termos como irmão gente tão amiga e sincera como são os gaúchos.

Fonte:
Equipe MOTO.com.br

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